segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os Brasileiros Estavam Perdidos E Não Sabiam
16 de maio de 2016

   Vi há dois dias a notícia de que estudantes de Direito da UFMG estão acampados ‘contra o impeachment’[1], esse fato que já tem a cara da inevitabilidade. Me pareceu o retrato da alienação de uma geração que se imagina plenamente engajada, mas cuja visão de mundo foi formada mais pelo discurso ideológico que pela análise e a crítica do real, que deixaram de existir pela ausência do hábito da discussão.
   Temos vivido uma quase unanimidade burra e acachapante. Debater em busca da verdade nunca foi bem visto nos círculos esquerdistas – dá-se preferência à repetição de slogans.
   O Direito tem, ou deveria ter, a vocação de buscar a valorização da lei e sua plena realização no Estado e na sociedade - o oposto da situação revolucionária, onde todos os significados são subvertidos, inclusive os de legalidade e legitimidade.
   Vive-se um vale-tudo na busca das miragens prometidas por um falso idealismo, feito de estereótipos distanciados da realidade.
   Embalados pela repetição infindável dos mesmos clichês por uma mídia dócil ao projeto esquerdista (vindo de fora do país e que vem se desenvolvendo desde os anos 60 do século passado), boa parte da juventude - mesmo os mais ou menos informados - tem uma visão de mundo que reproduz o imaginário de um socialismo irreal, ultrapassado e totalmente avesso à crítica.
   Não tendo o contraponto de outras leituras da realidade, devido ao desprestígio da visão de mundo conservadora, essa geração passou por verdadeira lavagem cerebral pela repetição infindável das mesmas falácias nunca contestadas.
   O afastamento da presidente incompetente e implicada em inúmeras ilegalidades apenas levantou a ponta do tapete do que um juiz do Supremo Tribunal Federal[2] chamou de projeto criminoso de poder, expressão justa e precisa, acolhida e usada por comentaristas eloquentes como o historiador Marco Antônio Villa.
   A verdade é que o Brasil recuou da beira do abismo. A consolidação de um regime totalitário de tipo bolivariano, semelhante à tragédia que acomete a Venezuela, com o total aparelhamento de todas as esferas de governo ou desgoverno e todas as instâncias mais visíveis da sociedade (imprensa, universidades, intelectuais, ONGs, artistas, movimentos sociais), estava para precipitar o país num caminho sem volta, num mundo sem alternativas de poder, de dizer e de fazer.
   Estávamos na véspera da cristalização de uma ditadura que se infiltrou pouco a pouco em todas as esferas, tendo como principal ferramenta o obscurecimento das consciências por um discurso falso e fácil – o pensamento politicamente correto complementado pelo jargão do nós-contra-eles.
   Não estamos no paraíso, e não existe político bom. Mas voltamos à pluralidade possível, com perspectivas políticas novamente abertas em 2018. Sem o impeachment da desmandatária estaríamos fadados (com a treeleição de seu criador em 2018) à consolidação definitiva e sem volta do já sabido nas próximas eleições presidenciais.
   E isso seria o fim do Brasil livre e plural e da possibilidade de criar o novo, alguma outra coisa, um futuro diferente.

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